Campanha Antártica Portuguesa
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                                          Projecto HOLOANTAR

                                          Evolução dos ambientes com permafrost das ilhas Shetland do Sul no Holocénico Superior - Antárctica MarítimaProject 
                                          Late Holocene Evolution of the South Shetlands Permafrost Environment - Maritime Antarctic 
                                          Picture
                                          EQUIPA  |  PROJECTO  |  IMAGENS  |  BLOG   

                                          IP: Marc Oliva, CEG/IGOT-UL.
                                          Período da campanha: Janeiro - Fevereiro 2012
                                          Local de realização: lha Rei Jorge, Arquipélogo das Ilhas Shetland do Sul, Antárctida.
                                          Estadia: Base Sul Coreana King Sejong e Acampamento Brasileiro de  Potter

                                          As Ilhas Shetlands do Sul localizam-se no extremo norte da Península Antárctica, uma das regiões do planeta que registou um dos mais elevados sinais de aquecimento atmosférico na segunda metade do século XX. Nas áreas não glaciadas das ilhas, o ecossistema terrestre é suportado pelo permafrost, recentemente definido pelo World Climate Research Programme como uma das componentes-chave da criosfera, não obstante a lacuna no conhecimento da reacção do permafrost perante alterações climáticas. Porém, nos anos recentes assistiu-se a um reforço do estudo das suas características – particularmente do estado térmico –, de forma a perceber a resposta do permafrost à recente tendência de aquecimento atmosférico. A nossa equipa está envolvida em vários programas de monitorização de longo termo. Porém, o projecto HOLOANTAR propõe uma abordagem complementar, e singular, relacionando as mudanças que ocorreram no permafrost do passado com a dinâmica actual. O HOLOANTAR baseia-se em duas hipóteses principais:

                                          a) Uma análise multi-proxy de sedimentos lacustres permitirá reconstruir a evolução paleo-ecológica, tendo em conta o papel do permafrost e da dinâmica da camada activa, na Antárctida Marítima;

                                          b) A análise da actividade, da distribuição espacial e dos controlos geográficos da geomorfodinâmica actual bem como da distribuição espacial do permafrost, permitirão derivar as condições climáticas limite para a ocorrência dos processos, que serão utilizadas para interpretar o registo sedimentar.

                                          Estudando simultaneamente a geomorfodinâmica presente e passada para entender a evolução da paisagem, tomamos uma abordagem inovadora. Na Península de Byers (Ilha Livingston), a área actualmente não glaciada mais extensa do arquipélago, onde o ambiente é dominado pelo permafrost e pela dinâmica da camada activa, a variabilidade climática terá induzido alterações nas taxas de erosão hídrica, nos movimentos de massa, na espessura da camada activa, na actividade biológica, etc. Face à recente elevada variação na temperatura média anual, é possível que, estudando formas análogas localizadas a diferentes altitudes, cinemáticas diversas sejam detectadas e utilizadas para restringir a actividade a patamares altitudinais/climáticos, fornecendo informação importante para a reconstrução paleo-ambiental. O projecto envolve uma muito significativa colaboração internacional, tanto no domínio puramente científico, como na área da logística. A equipa multidisciplinar do HOLOANTAR vai abordar as duas hipóteses principais através da execução de 5 tarefas:

                                          a) Cartografia geomorfológica;

                                          b) Monitorização geomorfológica e distribuição do permafrost;

                                          c) Trabalho sedimentológico de campo;

                                          d) Análise laboratorial;

                                          e) Reconstrução paleo-ambiental

                                          Estas tarefas envolvem a utilização de tecnologia avançada, tanto no campo como em laboratório. O principal objectivo do projecto é derivar informação proxy de elevada resolução a partir de sedimentos lacustres e reconstruir, para o passado, as alterações da paisagem. A influência do permafrost e da dinâmica da camada activa na dinâmica ambiental da área no último milénio será interpretada tendo em conta as relações entre os processos geomorfológicos actuais.
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